terça-feira, 30 de setembro de 2014

Artigo: Bullying Profissional

Trabalhar em um ambiente onde medo e maus-tratos são constantes vai prejudicar seu desempenho e sua saúde.

Por André Freire, presidente da Odgers Berndtson do Brasil.

Chefias inseguras ou despreparadas para lidar com a gestão de pessoas; sem estrutura emocional para suportar as cobranças e administrar a busca de resultados de forma saudável e produtiva entre seus pares e subordinados. Com tantos desafios, ser capaz de trabalhar em equipe, saber relacionar-se bem com os outros e contribuir para a manutenção de um ambiente positivo são competências que os profissionais precisam ter hoje em dia.

Quando as relações não caminham bem, dentro dos limites do respeito mútuo, problemas como excesso de autoridade, assédio moral e bullying ganham espaço para avançar. Segundo o dicionário, bullying é o termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tirano ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

Quando falamos sobre bullying, constantemente associamos este tipo de prática aos nossos tempos de escola, ou pensamos em nossos filhos, mas poucas vezes levamos em conta que podemos estar sofrendo bullying em nosso ambiente de trabalho.

Um escritório é claramente um ambiente onde existe uma relação desigual de poder e onde alianças são costuradas formal ou informalmente todos os dias, independentemente da cultura da empresa. Não deixa de ser irônico notar que algumas das crianças que sofreram bullying na escola, por seu comportamento destoante da média, acabam se tornando empresários ou executivos de sucesso e passam a se vingar na idade adulta.

Ambientes corporativos, como qualquer outra organização ou comunidade, depende da co-existência entre líderes e liderados. O grande problema ocorre quando os líderes passam do ponto e começam a agir como tiranos, distorcendo sua atuação, que deveria ser a de um mentor, alguém que está ali para apoiar a equipe. Um bom gestor cobra resultados e ao mesmo tempo inspira e desenvolve seu time. Mas há quem se comporte diferente. Especialmente gestores centralizadores, que ainda acreditam no poder da gestão via comando e controle puro ou que passaram por empresas com culturas voltadas para a competição individual sem pudores, têm grande tendência de apresentarem sintomas de bullying na gestão de suas equipes.

A melhor forma de se proteger é procurar ajuda nos caminhos colocados pelas empresas para suporte aos seus funcionários, tais como o setor de RH ou uma ouvidoria. Melhores práticas de empresas realmente preocupadas com o seu clima organizacional costumam estar relacionadas a uma ouvidoria externa, fazendo com que o funcionário não se sinta constrangido ao efetuar uma denúncia de desrespeito ou assédio moral.

Se você sofre bullying corporativo em seu ambiente de trabalho, busque uma discussão mais aberta com o seu superior. Não funcionando, procure o RH ou os canais colocados à disposição e caso os mesmos não existam na sua empresa, vale até conversar abertamente com o dono, deixando claro que este assédio moral atrapalha a sua produtividade e desempenho. Caso nada funcione, sugiro fortemente que busque um outro lugar para trabalhar, afinal de contas ninguém quer viver grande parte da sua vida em um ambiente de medo e repressão.

Por André Freire, presidente da Odgers Berndtson do Brasil.

(fonte, acesso em 30/09/2014)

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