domingo, 14 de setembro de 2014

DF: Terceirizados em greve denunciam atrasos e assédio na Procuradoria do Trabalho

O chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, Alessandro Santos de Miranda, se comprometeu a tentar solucionar o drama vivido pelos trabalhadores terceirizados da área de limpeza e conservação do Hospital de Base e das escolas públicas do DF, contratados pela empresa Juiz de Fora. Eles estão em greve desde o último dia 8 devido ao atraso no pagamento de salário e benefícios. A denúncia foi feita nessa quinta-feira (11), através do Sindiserviços, sindicato que representa a categoria, e da deputada federal Érika Kokay (PT-DF).

Segundo o dirigente do Sindiserviços, Antônio de Pádua, o salário e os benefícios dos trabalhadores estão atrasados desde o último dia 5. Entretanto, ele afirma que o atraso de pagamento é uma constante, principalmente nos últimos 11 meses. “Todo mês é a mesma coisa: eles atrasam o salário, nós somos obrigados a entrar em greve. Aí eles pagam o que devem depois de um tempo, e no outro mês acontece tudo de novo”, conta.

A empresa Juiz de Fora alega que o atraso do pagamento dos salários e benefícios dos trabalhadores é consequência dos repasses devidos pelo GDF à empresa. “Já fomos à Secretaria de Educação e à Secretaria de Saúde e isso não é verdade. A última fatura está paga. O que tem atrasado são questões antigas e a repactuação do ano passado, mas isso não pode interferir no pagamento dos trabalhadores, Somos funcionários da Juiz de Fora e não do governo e queremos receber pelo trabalho já prestado”, explica Antônio de Pádua.

O Sindiserviços afirma que a categoria não voltará às atividades enquanto não receberem o salário e os benefícios.

Dura realidade

Além do atraso de salários e benefícios, os trabalhadores terceirizados da área de limpeza e conservação do Hospital de Base e das escolas públicas do DF afirmam que sofrem, diariamente, assédio moral. Abaixo, o depoimento de duas trabalhadoras do setor, que preferiram não revelar o nome por medo de serem demitidas.

“Trabalho há dois anos no Hospital de Base e a gente lá é muito humilhado pelos chefes e encarregados. A gente só é gente quando estamos com a roupa normal, quando a gente usa o uniforme, a gente vira bicho. O problema é que muitas pessoas não têm coragem de denunciar com medo de ser mandado embora. E é atraso de salário, tíquete refeição, vale transporte direto. E quando a gente está sem o vale transporte, eles falam pra gente se virar, pra ir a pé ou comprar uma bicicleta, ou então vão dar suspensão para a gente”, diz a trabalhadora.

“A época da escravidão não acabou; ela ainda existe, só trocaram os nomes. Você trabalha sem receber vale transporte, férias, salário. E eles só pagam quando a gente pára. Mas aí, quando volta, a gente leva ‘chicotada’; somos transferidos de setor, perseguidos. Então a gente não pode parar? Tem que trabalhar sem receber? E como que a gente fica? A gente tem conta pra pagar. Além do assédio moral. Eles assediam a gente todo o tempo. Eu gostaria de ser vista como gente, como ser humano. Eu trabalho na limpeza, limpando o chão, mas eu não sou o chão”, desabafa outra trabalhadora terceirizada.

Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

(fonte, acesso em 14/09/2014)

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