sábado, 20 de setembro de 2014

RS: Assédio no trabalho é fenômeno internacional, diz docente

Embora muitas pessoas acreditem ser esta prática pouco expressiva no cotidiano do trabalho, o assédio moral já figura como motivo de diversos processos judiciais ou administrativos.

E, na perspectiva da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), tal prática seguirá causando depressão, angústias e demais doenças psíquicas nos próximos anos. Na última terça-feira, 16, o professor do curso de Direito e Coordenador de Planejamento Acadêmico da Pró-Reitoria de Graduação da Ufsm, Jerônimo Tybusch, falou aos novos servidores docentes e técnico-administrativos em educação da unidade de Cachoeira do Sul/Ufsm. O mote da palestra, que também tratou sobre ética no trabalho, foi desconstruir a ideia de que não existe assédio moral no serviço público e, junto a isso, instrumentalizar os trabalhadores para identificarem e resolverem situações dessa natureza.

Um dos principais artifícios utilizados por quem pratica assédio moral é submeter o colega de trabalho a posições humilhantes e constrangedoras, degradando, deliberadamente, suas condições de trabalho. Assim, a vítima tende a se isolar do grupo e rebaixar sua autoestima. Como explicou Tybusch, para se configurar como assédio moral, a prática tem de se assentar sob algumas características específicas: a humilhação e o constrangimento devem ser, por exemplo, praticados ao longo de meses, e durante a jornada de trabalho. Essa característica de continuidade é explicada pelo objetivo central do assédio, que é desestabilizar a vítima, forçando-a a desistir do trabalho. Apesar de ser mais comum em posições hierárquicas (praticado por um chefe contra um subordinado), o assédio também é detectado entre colegas na mesma posição dentro do local de trabalho.

Pode-se dizer que o assédio moral é caracterizado pelos seguintes elementos: repetição sistemática (ao longo de meses); intencionalidade (forçar a vítima a abrir mão do trabalho); temporalidade (durante a jornada de trabalho) e degradação deliberada das condições de trabalho. Hoje, o assédio moral no trabalho é considerado um fenômeno internacional e vem ganhando atenção de órgãos mundiais. Tybusch, que já foi diretor da Sedufsm, diz que uma das razões pela qual se envolveu com o movimento sindical foi a vivência de situações de assédio no trabalho. “Não sejam engolidos pelo serviço público”, aconselha o professor, ressaltando a importância da participação política dos trabalhadores a fim de combater essa realidade.

Importância do diálogo

O caminho encontrado pela maioria das pessoas que sofrem assédio moral no trabalho tem sido a judicialização. Tybusch acredita não ser essa a melhor forma, e aposta no diálogo e em caminhos criativos para a resolução dos problemas. Um dos meios apontados pelo docente foi a mediação, processo em que uma terceira pessoa, neutra, facilita a comunicação entre as duas partes e ajuda ambas a encontrarem uma saída. Nesse caso, o mediador não intervém ou opina, apenas facilita o andamento da discussão. “Por que não uma estrutura de mediação dentro da universidade, por exemplo?”, questiona o coordenador da Prograd, apostando no diálogo em contraposição ao enredo burocrático dos processos administrativos.

Outras formas criativas de resolução são a conciliação (em que uma terceira pessoa neutra intervém) e a arbitragem (além de intervir, a terceira pessoa decide). “É possível agir eticamente no trabalho, procurando mediações”, pondera Tybusch, que também frisou a necessidade de se compreender a diversidade no local de trabalho, respeitando ritmos e singularidades.

Texto e fotos: Bruna Homrich / Edição: Fritz R. Nunes

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

(fonte, acesso em 20/09/2014)

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