quinta-feira, 25 de setembro de 2014

SP: Professores e estudantes denunciam assédio moral na implantação de escola de tempo integral em São Caetano do Sul

Professores e estudantes da E.E Coronel Bonifácio de Carvalho, no Município de São Caetano do Sul (D.E de São Bernardo do Campo), acompanhados pela Diretoria da APEOESP, estiveram na sede da Secretaria Estadual da Educação na tarde de terça-feira, 23 de setembro, onde se reuniram com a Secretária Adjunta e com a Coordenadora do Projeto de Escola de Tempo Integral da SEE, professora Valéria Souza.

O objetivo da delegação da escola foi denunciar a forma pela qual o projeto de Escola de Tempo Integral vem sendo imposto naquela unidade escolar. Apesar de reiteradas declarações do Secretário Estadual da Educação, no sentido de que a ETI deve ser implantada por adesão majoritária da comunidade escolar, o Conselho de Escola, em reunião realizada em maio deste ano e contestada pela comunidade, aprovou o projeto por uma votação de 19 membros a favor e 18 membros contrários.

Há denúncias de que a própria composição do Conselho está irregular. Por isso, um mandado de segurança foi impetrado pela Subsede da APEOESP, vigendo decisão liminar desde maio até setembro. O caso continua sub-judice no Tribunal de Justiça de São Paulo. Entretanto, apesar disso, a diretora da escola prossegue movimentos para implantar o projeto, chegando ao cúmulo de enviar bilhetes aos pais para que indiquem três escolas para onde possam ser transferidos seus filhos caso não pretendam permanecer na escola de tempo integral.

No embate entre professores e estudantes contrários ao projeto (e que se queixam de não terem sido ouvidos e sequer informados sobre o andamento das providências para implementação da ETI), há denúncias de assédio moral por parte da diretoria da escola; ameaças de abertura de denúncia policial contra adolescentes por supostos crimes de calúnia e difamação; abertura de Boletim de Ocorrência contra a professora Vera Zirnberger, por ter defendido as alunas ameaçadas; presença de policiais no interior da escola e outras situações de extrema tensão.

Diante dos fatos relatados, a Secretária Adjunta decidiu realizar, imediatamente, uma reunião com a diretora da escola, a supervisão de ensino da região e o Dirigente Regional de Ensino para se inteirar de todas as versões para os fatos e tomar decisões quanto ao futuro da escola.

Professores e alunos afirmam que a escola, por ser central, é referência para a região, recebendo estudantes de outras cidades da região e da capital, com demanda crescente e não seria a mais indicada para a execução do projeto de ETI. Muitos estudantes ali estudam e trabalham nas imediações.

A APEOESP está atenta e continuará acompanhando os desdobramentos desses fatos, bem como também está acompanhando a implementação do projeto de ETI em todas as regiões do estado, em nome da qualidade da educação, dos direitos de professores e estudantes e a transparência e lisura que devem caracterizar todos serviços públicos, sobretudo a educação pública.

APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo

Por APEOESP/Sylvio Micelli

(fonte, acesso em 25/09/2014)

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