terça-feira, 7 de outubro de 2014

Greve dos bancários: Proposta da Fenaban avança no combate às metas abusivas e assédio moral

Além das conquistas econômicas, a grande mobilização nacional dos bancários obteve ainda avanços nas cláusulas sociais, principalmente em relação ao combate às metas abusivas e ao assédio moral, hoje os principais problemas apontados pelos trabalhadores dentro dos locais de trabalho, responsáveis pela verdadeira epidemia de adoecimentos na categoria, tanto físicos como psíquicos. 

Contraf-CUT - Foto Jailton Garcia

Segundo dados do INSS, 18.671 bancários doentes foram afastados do trabalho em 2013, um crescimento de 41% em relação aos últimos cinco anos. Desse total de auxílios-doença acidentários registrados pelo INSS, 52,7% tiveram como causas principais os transtornos mentais e do sistema nervoso.

"Esse foi um dos temas centrais da campanha de 2014. Graças à forte greve em todo o país, os bancos melhoraram a proposta e aceitaram incluir na Convenção Coletiva alguns mecanismos que ajudam a equacionar os principais problemas de saúde que os bancários enfrentam hoje nos locais de trabalho, entre eles as metas abusivas e o assédio moral", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

Além da proibição da publicação de ranking individual de resultados e da cobrança de metas por parte do gestor via SMS, a nova cláusula estenderá a vedação de cobrança de resultados por qualquer meio eletrônico e plataforma digital. 

Em outra cláusula, os bancos também assumem o compromisso para o "monitoramento de resultados ocorra com equilíbrio, respeito e de forma positiva para prevenir conflitos nas relações de trabalho". 

"A partir de agora, o bancário que se sentir pressionado por cumprimento de metas, colocando em risco sua saúde física e mental, terá mais um canal de denúncias, que é o sindicato, e os bancos terão prazo para dar uma resposta sobre o caso", diz Cordeiro.

Veja abaixo outros temas sociais incluídos na nova proposta dos bancos: 

Dias parados

A Fenaban propõe a compensação dos dias parados durante a greve, na forma de uma hora por dia no período de 15 de outubro a 31 de outubro, para quem trabalha seis horas, e uma hora por dia no período entre 15 de outubro e 7 de novembro, para quem trabalha oito horas.

Certificação CPA 10 e CPA 20 - Quando exigido pelos bancos, os trabalhadores terão reembolso do custo da prova em caso de aprovação.

Adiantamento de 13º salário para os afastados - Quando o bancário estiver recebendo complementação salarial, terá também direito ao adiantamento do 13º salário, a exemplo dos demais empregados.

Reabilitação profissional - Cada banco fará a discussão sobre o programa de retorno ao trabalho com o movimento sindical. 

Gestantes - As bancárias demitidas que comprovarem estar grávidas no período do aviso prévio serão readmitidas automaticamente. 

Casais homoafetivos - Os bancos irão divulgar a cláusula de extensão dos direitos aos casais homoafetivos, informando que a opção deve ser feita diretamente com a área de RH de cada banco, e não mais com o gestor imediato, para evitar constrangimentos e discriminações.

Novas tecnologias - Realização de seminários periódicos para discutir sobre tendências de novas tecnologias.

Campanha sobre assédio sexual - Os bancos assumiram o compromisso de realizar uma campanha junto com os bancários para combater o assédio sexual no trabalho.

(fonte, acesso em 07/10/2014)

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