segunda-feira, 13 de abril de 2015

AL: Técnica de enfermagem do Clodolfo Rodrigues tenta suicídio; caso pode ser decorrente de assédio moral

O caso extremo da falta de condições de trabalho é quando o profissional entra em total depressão a ponto de tentar tirar a própria vida. Em meio a um cenário de pressão, perseguição e pouco caso da chefia, uma técnica de enfermagem do Hospital Regional Clodolfo Rodrigues de Melo, situado em Santana do Ipanema, tentou suicídio em sua residência, na noite da última quinta-feira (09) ingerindo veneno. Como se não bastasse o grau de insatisfação com a vida, a profissional ainda envenenou o filho de apenas 03 anos de idade.

Por Ascom Sateal - Editora Guia Mais

O caso chegou a conhecimento do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado de Alagoas (Sateal) por meio de colegas da vítima. Eles contaram que a profissional vinha apresentando um comportamento diferente há três meses, quando ela foi transferida de setor. Ela é lotada na unidade como instrumentadora cirúrgica e recentemente foi colocada para atuar na emergência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que funciona anexo ao Clodolfo Rodrigues.

“Ela andava depressiva, chorava muito nos plantões, mostrava sinais claros que ficou abalada com a mudança para um ambiente de trabalho mais intenso na UPA. Ela falou com a coordenadora de enfermagem que não tinha condições de trabalhar, mas ninguém a afastou. Por conta da depressão ela chegou a assinar algumas advertências e o clima de perseguição ficava cada vez pior”, contou um dos colegas da técnica, que terá o nome preservado.

Segundo as informações repassadas para o Sateal, a técnica de enfermagem se envenenou junto com o filho em sua residência, que fica em Arapiraca, e foi encaminhada para a Unidade de Emergência do Agreste. De acordo com as informações fornecidas pela UE, ela e o filho passaram por procedimentos de desintoxicação e seguem entubados na Unidade de Terapia Intensiva. A criança está em observação já que ainda não se recuperou totalmente.

Para o presidente do Sateal, Mário Jorge Filho, o caso se configura como uma consequência do assédio moral vivido dentro do ambiente de trabalho. “Nós apuramos e até agora não temos informações de que ela possuía problemas pessoais. Os colegas relataram que ela estava apresentando um comportamento depressivo e mesmo assim a direção hospitalar não a afastou de suas funções, sendo desta forma omissa na prevenção de distúrbios deste tipo. Estamos acompanhando o caso e vamos cobrar providências”, disse.

Vale destacar aqui que as enfermeiras que atuam na coordenação do setor e que não tomaram providências são as mesmas que foram denunciadas recentemente por promover perseguição e assédio moral a auxiliares e técnicos de enfermagem. Diante das informações, o Sateal já encaminhou ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren/AL) um pedido de providências.

Entramos em contato com o diretor do Hospital Clodolfo Rodrigues, que informou que não sabia da tentativa de suicídio da técnica de enfermagem e que também não tinha conhecimento do quadro depressivo da trabalhadora. Sobre as denúncias de assédio moral e perseguição praticada pelas coordenadoras do setor de enfermagem ele disse que também não sabia da situação, mas se comprometeu em apurar as denúncias e caso houvesse confirmação dos fatos, iria tomar as providências cabíveis.

“Ele concordou que o hospital não tem médico do trabalho para ver de perto a saúde do trabalhador e também que existe carência de pessoal, o que está ocasionando os episódios de assédio moral que frequentemente são noticiados pelo Sateal e chegam à Procuradoria do Trabalho e outros órgãos competentes. Esperamos agora um posicionamento da empresa”, finalizou.

DENUNCIE

Mário Jorge ainda alerta os profissionais da enfermagem que o Sindicato está de portas abertas para receber aqueles profissionais que ainda não se filiaram, e também os filiados, a denunciar casos de agressão, assédio moral no ambiente de trabalho ou flagraram alguma irregularidade grave que comprometa a realização de suas atividades.

Segundo a 19 Procuradoria Regional do Trabalho em Alagoas, O Sateal é uma das instituições que mais realiza denúncias sobre o tema.

(fonte, acesso em 13/04/2015)

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