segunda-feira, 4 de maio de 2015

Artigo de Gilda de Castro: O assédio moral nas relações de trabalho

O trabalho é a expressão máxima da humanização, porque se refere à transformação da natureza para que o homem sobreviva em qualquer ecossistema e torne-se sujeito da história. Deve ser tratado, portanto, como processo sagrado, diante da comunhão de seus frutos e, consequentemente, da harmonia entre todas as pessoas. Isso não acontece, entretanto, porque muitos querem expropriar o outro, escravizando ou aniquilando moralmente seu colega, subalterno ou concorrente. Não se constrangem por manifestarem os piores sentimentos humanos (inveja, soberba e ganância) que inspiraram atitudes para pontilhar de sangue a história da humanidade e gerar o perfil de assédio moral, o problema de quem está produzindo bens materiais, intelectuais ou artísticos, sozinho ou em seu emprego.

Por Gilda de Castro / O Tempo

Ele surge com a criação de situações de constrangimento por censura pública, rótulos depreciativos, isolamento e acusações infundadas contra o alvo do momento. Refere-se também à atribuição de tarefas aquém da qualificação do profissional ou do prazo necessário para sua realização, esperando desmoralizá-lo publicamente. Acarreta a destruição da força psíquica da vítima, tolhendo suas chances para que permaneça na função ou procure outro espaço no mercado de trabalho, por desonra ou corrosão de autoestima. É operado por chefes cruéis e, sobretudo, inseguros em relação à sua própria competência diante do talento dos subalternos.

Eles não se interessam pelos desdobramentos de seus atos na saúde física e mental dos empregados, que, às vezes, recorrem ao suicídio. Não se incomodam tampouco com os prejuízos que a organização possa ter com a queda de produtividade, arranhões na imagem e perda de bons profissionais. Ela sofre ainda danos por gestão ruinosa que envolve a participação de asseclas cuja atribuição principal é a espionagem de colegas seguida de delação. Estes se prestam a qualquer jogada para garantir seu emprego com privilégios, porque não têm qualificação adequada e precisam de proteção especial para manter seu lugar, mesmo que isso implique uma postura indigna, desleal e injusta, porque enxovalham a honra de seu alvo.

O assédio moral assemelha-se ao bullying, que é operado por estudantes contra colegas mais frágeis, gerando trauma cujas consequências são terríveis para seu ajustamento à sociedade. Essa agressão é tolerada, sob a justificativa de imaturidade dos agentes, mas o assédio moral precisa de repressão à altura dos danos, porque eles geram efeitos nocivos ao outro, à organização e à sociedade como um todo.

Muitas vítimas caem em depressão profunda, sofrem síndrome de pânico ou desenvolvem enfermidades psicossomáticas. A Justiça do Trabalho tem reconhecido os danos materiais e morais e pune as organizações, mas não alcança os agentes, que usam os cargos para destruir quem está apenas trabalhando com seriedade, para assegurar sua renda e contribuir para o bem-estar social.

(fonte, acesso em 04/05/2015)

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