segunda-feira, 4 de maio de 2015

Canadá: Exército canadense quer combater crimes sexuais em suas fileiras

O exército canadense reconheceu nesta quinta-feira "um problema inegável de assédio sexual e agressão sexual" em suas fileiras que afeta mulheres e homossexuais, e se comprometeu a atender as conclusões de uma comissão especial que investiga a questão.

Por Estado de Minas / Agence France-Presse

Após uma extensa pesquisa publicada no ano passado por duas revistas, MacLean e L' Actualité, o ministério da Defesa designou a ex-juíza da Suprema Corte Marie Deschamps para ficar à frente desta comissão.

"Impera um clima de sexualização dentro das Forças Armadas canadenses (...) caracterizado pela proliferação de palavrões ou expressões humilhantes relativas aos corpos das mulheres, piadas de cunho sexual, insinuações ou comentários discriminatórios relativos às habilidades das mulheres e carícias sexuais não autorizadas", denunciou a ex-magistrada em um relatório de cem páginas divulgado nesta quinta-feira.

"Tal comportamento irá gerar um ambiente hostil para as mulheres e o grupo LGBT (lésbicas, gays, transexuais, bissexuais) e incentiva atos graves como assédio sexual e os incidentes de violência sexual", ressaltou.

Nem a Defesa nem o relatório especial detalham a extensão do fenômeno, mas oficialmente 178 ações judiciais de abuso sexual foram arquivadas no período entre 2002 e 2012.

Segundo a revista L'Actualité, que teve acesso a documentos sensíveis sobre o assunto, uma pesquisa realizada pelo exército entre mais de 2.200 de seus membros mostrou que uma em cada dez mulheres soldados foi sexualmente agredida no decorrer de 2012.

Isso significaria que a cada ano ocorrem 1.780 casos de violência sexual nas forças armadas, uma perturbadora média de cinco casos por dia, segundo a revista.

Próximo à juíza durante a conferência de imprensa, o chefe do Estado-Maior, Tom Lawson, afirmou que o exército canadense aceitou as 10 recomendações feitas no relatório.

"A situação vai exigir esforços reforçados nas Forças Armadas canadenses por um longo tempo. Nós não estamos falando de dias ou semanas, mas de meses e anos", disse Lawson.

O chefe do Estado-Maior indicou a general de divisão Christine Whitecross, mulher no mais alto posto das forças armadas canadenses, para chefiar uma equipe para estudar a forma como outros países (Austrália, França, Estados Unidos) abordaram e enfrentaram situações similares.

(fonte, acesso em 04/05/2015)

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