segunda-feira, 11 de maio de 2015

Estados Unidos: Escândalo sexual leva a despedimentos em fábrica da Ford

A Ford está a braços com um escândalo sexual na sua fábrica de montagem de Chicago, com dezenas de mulheres a queixarem-se de assédio sexual, convites sexuais explícitos e mesmo abusos por parte de quadros superiores da empresa. Pelo menos oito pessoas, todas com funções de chefia, foram já afastadas da fábrica, segundo o Automotive News.

Por Emanuel Costa / Sol.pt

Os casos de assédio começaram a vir a público nos últimos meses e a Ford acabou por afastar o administrador da Chicago Assembly Plant, responsáveis de recursos humanos e responsáveis de relações laborais. O principal representante do sindicato UAW na fábrica, Coby Millender, também tem estado ‘debaixo de fogo’ e estará de saída.

Millender é um dos acusados directamente num processo que 33 trabalhadoras moveram contra a fábrica – inicialmente eram apenas quatro, mas as outras 29 ganharam coragem para vir a público. Na sua queixa criminal há relatos de apalpões constantes, convites directos para sexo, exposição dos genitais por parte de trabalhadores homens ou fotografias de cariz sexual mostradas e enviadas por telemóvel.

Segundo o Automotive News, as represálias por recusarem ter sexo, por fazerem queixa ou por ameaçarem fazê-lo eram variadas. Uma mulher terá sido despromovida de uma função de supervisão, com um salário de 88 mil dólares (77,6 mil euros) por ano, para outra com turnos alternados e um salário de metade desse valor. Isto porque começou a queixar-se de assédio e incentivou outras funcionárias a fazerem o mesmo.

Metade das queixosas são trabalhadoras recentes, tendo entrado na fábrica de Chicago desde 2010, a outra metade diz respeito a funcionárias com dezenas de anos de casa, algumas a trabalhar na Chicago Assembly Plant desde 1977.

Já em 2000 houve um processo judicial semelhante naquela fábrica, que terminou em acordo fora do tribunal, com a Ford a pagar 19 milhões de dólares (cerca de 17 milhões de euros) em indemnizações. O advogado que apresentou essa queixa, Keith Hunt, é o mesmo que representa agora o grupo de 33 queixosas. Na altura, a Ford aceitou também instalar uma ligação telefónica gratuita para denunciar abusos. Mas muitas das vítimas afirmam no novo processo que lhes foi dito para deixarem de usar esse número.

(fonte, acesso em 11/05/2015)

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