segunda-feira, 11 de maio de 2015

PR: 73% dos bancários presenciaram episódios de assédio moral

É o que demonstra pesquisa inédita realizada pelo sindicato entre os bancários de Maringá e região. Situação é preocupante.

Por Sindicato dos Bancários de Maringá e Região

A pesquisa encomendada pelo Sindicato ouviu cerca de 500 bancários de Maringá e região no final do ano, dos bancos públicos e privados, sobre saúde e condições de trabalho. A intenção da entidade era possuir uma amostragem exata da situação no ambiente de trabalho, uma vez que as reclamações são muitas.

Conforme explica o vice-presidente do Sindicato, Carlos Roberto Rodrigues, que coordenou o levantamento, a pesquisa teve como foco várias questões, como estresse no ambiente de trabalho e suas consequências (tema já abordado nesse jornal na edição passada), assédio moral, plano de saúde, temor ao desemprego, entre outros.

E em todos os aspectos abordados, os dados são extremamente preocupantes. "Nosso bancário está muito estressado, desmotivado, pressionado, com problemas de saúde, assediado moralmente e, tudo isso, em decorrência da carga excessiva de trabalho, pressão, metas infindáveis e ação de gestores que se utilizam de métodos covardes na tentativa de sugar ainda mais do trabalhador", aponta Rodrigues.

ASSÉDIO DESCARADO - Na questão do assédio moral nos bancos da nossa base, a pesquisa demonstrou que 73% dos bancários presenciaram algum tipo de assédio moral em seu local de trabalho, enquanto que 45% afirmaram que eles próprios foram vítimas em sua relação de trabalho, seja pela ação de gestores, chefes ou colegas de banco.

"32% afirmaram que gestores não reconhecem seus esforços"

Na questão aberta, "você se identifica com algumas dessas situações", onde havia a possibilidade de se assinalar mais de uma alternativa, 32% afirmaram que "as pessoas não reconhecem meus esforços e resultados, é só cobrança", 27% apontaram a alternativa "as pessoas expõem as minhas dificuldades para

todo mundo ouvir" e 27% também assinaram que são "feitas ameaças de demissão, mesmo que de forma velada". Por si só, essas três questões já apontam prática de assédio moral acontecendo abertamente nos bancos públicos e privados.

Além disso, 25% apontaram que são feitas promessas que não são cumpridas por gestores, sendo o mesmo percentual para a questão "não me escutam, nem permitem que eu dê nenhuma sugestão", e 27% citaram que "me acusam de incompetente, quando não bato a meta do dia, mesmo que tenha me esforçado para isso".

Para o diretor, a solução é o enfrentamento ao problema. "Vamos levar essa situação ao movimento sindical nacional, discutir o tema na formatação da nossa pauta de reivindicações, levar aos bancos, nas mesas de negociação, principalmente da nossa campanha salarial, ou em rodadas específicas, provocar reuniões com os departamentos de saúde e recursos humanos das empresas, agir localmente quando identificado o problema e fazer as denúncias e pedidos de providências a órgãos como Ministério Público do Trabalho e Ministério do Trabalho", adianta.

O mais importante, no entanto, conforme Rodrigues, é a colaboração do bancário, que é o responsável por identificar o assédio moral, reunir provas e denunciar. “Não tenham receio. Venham até o Sindicato, apresentem a situação, que estaremos orientando e agindo para conter essas situações absurdas, desumanas e covardes”, frisa.

(fonte, acesso em 11/05/2015)

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