segunda-feira, 4 de maio de 2015

RN: Violência moral ainda é pouco denunciada

Medo, vergonha de se expor, constrangimento, falta de apoio da família. Esses são alguns motivos para a falta de denúncia, por parte dos trabalhadores, sobre o assédio moral. O Sindicato dos Empregados do Comércio de Mossoró (SECOM) destaca que as mulheres sofrem em maior número, principalmente grávidas e lactantes. O dia 1º de maio é considerado o Dia do Trabalhador, a data seguinte, 2 de maio, marca o Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral.

Por Gazeta do Oeste

A atitude de mandar, ou humilhar o outro no ambiente de trabalho se constitui no assédio moral, mas o pior deles ainda é o não visível, ou não denunciado. O problema nasce a partir de uma política organizacional ou para alcançar objetivos de quem o pratica.

De acordo com Raimunda Soares, integrante do Secom, há uma dificuldade de denunciar por várias razões. “Mulheres são as principais vítimas, principalmente grávidas. Tem empresas que resistem a tratamento de pré-natal, ou um atestado médico. Depois que nasce, vem a dificuldade de uma pessoa para deixar a criança, a falta de creche, não tem condições de pagar uma babá e os problemas aumentam”, relata.

Segundo ela, não há campanhas no Secom para combater o assédio, ou incentivar a denúncia, mas há uma atenção e um empenho para que isso seja feito. “Nós fazemos a distribuição de cartilhas com temas sobre o assédio. Em 2013, realizamos um seminário sobre o assunto”, informa.

São poucas as denúncias que chegam ao sindicato, segundo Raimunda. “Quando acontece a gente procura conversar com a direção da empresa, setor de RH, quando não resolve, procuramos os órgãos competentes, mas em todos esses anos que estou no sindicato, em nenhuma das vezes chegamos à Justiça, talvez por medo, constrangimento. Quando nos procuram, é uma coisa bem reservada. Respeitamos muito a privacidade da pessoa”, continua.

Quando as denúncias chegam e o sindicato age, as vítimas do assédio geralmente são removidas de função, ou são aplicadas outras punições. “Já recebemos denúncia de assédio moral e sexual de um gerente para uma funcionária. Procuramos a diretoria regional da empresa, já que aqui em Mossoró era ele que respondia. A resposta que tivemos foi de que ele estava na função dele por méritos e que estava na empresa desde muito jovem, ainda quando era auxiliar de serviços gerais. O que aconteceu foi que a funcionária foi transferida para outra loja, já que a empresa tem mais de uma loja em Mossoró. Depois ficamos sabendo que ele já havia sido transferido de outra cidade para cá, por causa do mesmo problema”, diz Raimunda.

As cartilhas podem ser encontradas gratuitamente no Secom, contendo inclusive orientações legais sobre o assédio moral. O sindicato também oferece auxílio para as pessoas que foram vítimas do problema.

(fonte, acesso em 04/05/2015)

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