quarta-feira, 1 de julho de 2015

AL: Almaviva é denunciada por sobrecarga de trabalho e assédio moral

As denúncias constantes de funcionários e ex-funcionários da empresa italiana de call center Almaviva trouxe à tona as questões relacionadas à sobrecarga de trabalho e o assédio moral sofrido por trabalhadores todos os dias.

Por Thayanne Magalhães - Tribuna Hoje / foto Secom Maceió

O caso da funcionária identificada como Barbara Monique Soares Souza, de 26 anos, que morreu na última quarta-feira (24) enquanto trabalhava em uma das filiais da Almaviva em Sergipe, gerou grande comoção entre os colegas de trabalho. Eles acusam a empresa de não prestar atendimento médico adequado aos funcionários.

O mal súbito teria ocorrido depois de a funcionária ser submetida a uma sobrecarga de trabalho.

Ao que tudo indica a situação não é diferente nas filiais da Almaviva instaladas em Maceió.

Uma funcionária que prefere não se identificar afirma que todos os que trabalham na Almaviva são submetidos a uma carga horária exaustiva e com pouco tempo para alimentação e ir ao banheiro.

“Nossa carga horária é de seis horas e temos meia hora para comer. Não podemos levantar para ir ao banheiro porque sofremos ameaças de demissão. Todos sofrem assédio moral explicitamente e muitos são demitidos sem aviso prévio. Chegam na empresa e são barrados na porta”.

A atendente conta ainda que a cada três meses a empresa demite uma equipe para substituir por outra.

“Eles fazem isso para se livrar do pagamento dos direitos trabalhistas. Conheço gente que trabalha lá e está mal dos nervos. Fazem hora extra mas a empresa não paga pelo serviço”.

A funcionária confirma a denúncia feita pelos funcionários de Sergipe.

“Não existe atendimento médico. Eu sofri um acidente de trabalho e tive que cumprir meu horário mesmo ferida. O plano de saúde me negou atendimento porque a empresa estava devendo”.

A funcionária afirma que muitos colegas de trabalho entraram com ações na Justiça contra a Almaviva.

“Eles descontam um valor absurdo se o funcionário faltar. E ficam fazendo pressão psicológica para você pedir demissão e ainda sair devendo para a empresa. Estou rezando para ser demitida. Não aguento mais aquele inferno”.

Outros funcionários da Almaviva de Maceió entrevistados pela Tribuna Independente confirmaram as informações. Nenhum quis se identificar para não sofrer represálias.

Em nota enviada ao jornal, “a Almaviva do Brasil esclarece que valoriza a integridade e bem-estar de seus colaboradores, segue estritamente a legislação trabalhista e não admite comportamentos tidos como impróprios dos gestores. A empresa informa que os descontos aplicados na folha de pagamento são legais e procedentes”.

A nota afirma ainda que “a companhia ainda reforça que mantém o diálogo aberto e contínuo com seus colaboradores e oferece a seus profissionais um canal de ouvidoria interna e permanente, com garantia de sigilo e confidencialidade, para registrarem críticas, elogios e sugestões em relação a procedimentos internos e atitudes inadequadas”.

Relato

“Fiquei na terapia durante um ano por causa do meu antigo emprego”

Há sete meses em um emprego novo, uma jovem maceioense de 26 anos que preferiu não se identificar, relata como o excesso de trabalho e o assédio moral lhes trouxeram problemas de saúde e emocionais.

Vamos chamá-la pelo nome fictício de Joana.

A jovem, formada em Gestão Empresarial e pós-graduada em Administração de Empresas, começou a trabalhar cinco anos atrás em uma concessionária de veículos de Maceió.

“No começo era muito tranquilo. Eu entrei na empresa como estagiária e em seguida fui contratada e promovida. Tinha gente que dizia que eu ia me aposentar lá. Foi quando mudaram as chefias e meu superior passou a ser um homem arrogante e grosseiro”, conta a jovem.

Joana afirma que seu novo chefe era explorador e não dava nem um dia de folga para a funcionária.

“Meu horário era até as 18 horas, mas se eu saísse nessa hora ele ficava de cara feia. Tinha que sempre dar hora extra e não era remunerada por isso. Eu atuava no setor financeiro todos os dias, sem exceção. Dia de sábado eu largava às 13 horas, mas ele sempre me fazia ficar até mais tarde e ainda trancava a porta do local onde batíamos o ponto para que ninguém recebesse hora extra”.

Joana também trabalhava nos domingos e feriados.

“Eu não tinha folga nem durante a semana. Passei a ter problemas emocionais por conta disso. Não tinha tempo para cuidar de mim. Comecei a sofrer crises alérgicas e de sinusite muito fortes. Também sentia dores abdominais por conta de toda aquela pressão psicológica. Até quando ele cometia um erro, colocava a culpa em mim”.

Certo dia Joana recebeu uma nova proposta de emprego e não pensou duas vezes para pedir sua demissão. 

“Eu entrei na sala dele e disse que não voltaria mais para aquela empresa. Ele quis que eu ficasse e até me prometeu uma promoção, mas já tinha aparecido uma outra proposta e eu fui embora. Não fiz nem questão dos meus benefícios, porque em primeiro lugar estava o meu bem estar. Eu não aguentava mais e pedi minhas contas”.

Hoje Joana conta que está bem melhor, mas precisou fazer um ano de terapia para conseguir superar os traumas.

“Agora tenho tempo para mim e voltei a estudar. Estou fazendo faculdade de Psicologia e está tudo muito melhor do que antes. Converso com meus antigos colegas de trabalho e eles também não veem a hora de sair de lá”.

Prazos curtos

Advogada lembra de pressões psicológicas do primeiro emprego

Louise Peixoto é uma jovem advogada de 27 anos, mas, apesar da pouca idade, já sofreu com pressões psicológicas em seu antigo emprego.

“Meu primeiro emprego foi num escritório de advocacia de massa e o estresse dominava todos os níveis do escritório, porque a empresa queria pagar menos por mais. O escritório queria absorver um número imenso de ações com equipes mais enxutas possível”, lembra.

A advogada lembra que tinha uma carga de trabalho alta por conta dos curtos prazos para concluir suas obrigações.

“Eu trabalhava com prazos de 24 horas, ou seja, você tem que fazer dar certo para amanhã na sua jornada de oito horas, o que normalmente você não consegue fazer e passa a realizar horas extras que não são remuneradas”, relata a jovem.

Em um mês trabalhando nesse ritmo, Louise passou a sofrer com gastrite e com tensões no pescoço.

“Eu não dormia bem porque sonhava com as planilhas que eu não conseguia concluir e lembrava do chefe surtado do meu lado. Meu pescoço vivia duro. Era muita tensão. Eu me sentia explorada e pensava se valia a pena ter feito faculdade e continuar me aprimorando para viver escrevo, sob trabalho desumano”.

Louise lembra que os funcionários do escritório sequer paravam para almoçar.

“Nós precisávamos fazer o acompanhamento frequente de e-mails, planilhas e tínhamos prazos a serem concluídas todos os dias para o dia seguinte, e muitas vezes um telefone que não nos deixa em paz. Era comum não usufruirmos de uma hora de almoço, porque a gente saia preocupado em voltar logo para o trabalho”.

Hoje Louise diz estar bem, trabalhando por conta própria.

Hoje eu já sei o que não quero e vou procurar algo que me faça bem. Você viver estressado e assediado por pessoas que não possuem a capacidade de gerir pessoas fazem qualquer remuneração ser pequena para os danos físicos e psicológicos sentidos”.

SEM ERROS

Uma jovem de 32 anos disse que sofreu na mão de um “chefe ditador”. Como ela prefere não se identificar, vamos chamá-la pelo nome fictício Helena.

“Eu trabalhava como auxiliar de coordenação em uma escola e meu chefe era metido a mandão. Tudo era para ontem e nenhum erro poderia acontecer. Pedi para ser demitida e não perder meus direitos trabalhistas”, relata Helena.

A jovem lembra que por conta da pressão sofrida no antigo emprego, passou a ficar mais nervosa.

“Era muito estresse. Eu não dormia a noite, tinha espasmos. A situação me obrigou a sair do emprego”. 

(fonte, acesso em 01/07/2015)

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