terça-feira, 4 de agosto de 2015

EXAME.com: Do que os policiais brasileiros mais têm medo

A ameaça à vida e ao equilíbrio mental dos policiais brasileiros não está restrita às ruas.

Por Raphael Martins / Exame.com - Foto Mario Tama/Getty Images

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado esta semana mostra que, além de serem alvo fácil da violência urbana, a maior parte dos agentes de segurança do país sofrem com situações de assédio moral dentro do ambiente de trabalho e com a discriminação social fora do expediente por causa da profissão.

O resultado não poderia ser mais perverso: 15,6% dos policiais brasileiros já foram diagnosticados com algum tipo de distúrbio psicológico. 

Nesta semana, um levantamento do Datafolha revelou que 62% dos brasileiros temem a violência policial.

Outro estudo feito pelo Ibope Inteligência mostra que os brasileiros encaram a polícia com certa desconfiança. A instituição marcou apenas 50 pontos em uma escala de 0 a 100 no índice de confiabilidade aplicado pela consultoria.

A “Pesquisa de vitimização e risco entre profissionais do sistema de segurança pública”, do Fórum de Segurança Pública, ouviu mais de 10.300 agentes e foi produzida em parceria com o Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas da FGV e o Ministério da Justiça.

Foram ouvidos integrantes das polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal, Federal, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e agentes penitenciários de todo o Brasil. 

75% dos profissionais de segurança pública já sofreram ameaças em serviço

Entre as principais situações de vitimização ao longo da carreira está a ameaça em serviço. Três a cada quatro policiais já sofreram com algo do tipo.

Durante as folgas, o grupo que foi ameaçado cai para 53% dos entrevistados. Cerca de 36% deles afirmam também que tiveram familiares nessa situação.

Vítimas concretas de violência ou ameaçados por retaliação são cerca de 27%.

73% dos Policiais Militares já tiveram algum colega próximo vítima de homicídio

Ainda no quesito vitimização, o número de servidores de todas as corporações que tiveram colegas próximos assassinados durante o expediente é próximo de 62%. Entre PMs, o índice cresce 11 pontos percentuais, para 73%.

Considerando as mortes de colegas fora de serviço, os números sobem para 70% dos servidores. Isolando os PMs, 77% afirmam ter algum parceiro que foi morto.

37% dos servidores afirmam ter sido acusados injustamente de prática de atos ilícitos

Abuso de poder, tortura, forja de flagrantes e corrupção são algumas das acusações frequentes entre cargos de autoridade que exemplificam esse problema.

Mais de 45% dos entrevistados disseram temer sanções judiciais e 25% têm medo de serem investigados pela Corregedoria das polícias.

Quando o assunto é assédio moral, no entanto, 63,5% dos entrevistados afirmam ter sido vítimas da prática.

Quase 53% disseram ter receio "alto ou muito alto" de manifestar discordância com relação a ordens de um superior.

Dos 700 mil membros do efetivo, cerca de 110 mil já foram diagnosticados com distúrbios psicológicos

Em termos percentuais, isso significa cerca de 16% do total. Além da pressão cotidiana do trabalho, metade diz já ter passado por dificuldades de garantir o sustento da família.

São características como essas as principais causadoras de desestabilização psicológica dos profissionais.

68% tem um temor "alto ou muito alto" de morrer em serviço

É a mesma porcentagem daqueles que temem ser assassinados fora do horário de trabalho.

Cerca de 38% acreditam que correm maior risco de morte em serviço. São 30% que sentem mais receio durante as folgas. Outros 30% responderam que sentem riscos equivalentes em qualquer situação.

Dados do VIII Anuário Brasileiro de Segurança Pública dizem, no entanto, que 75% das mortes de policiais em 2013 ocorreram mesmo durante o expediente.

Quase 60% dos policiais sente falta de apoio da sociedade

Esta é a segunda maior preocupação entre os fatores que geram insegurança de procedimentos. O maior é a impunidade de infratores, que geram solturas e vinganças.

A falta de apoio do comando também aflinge 55% dos participantes da pesquisa.

Cerca de 54% também reclamam de falta de equipamentos de proteção pessoal.

Falta de diretrizes clara para procedimentos básicos como abordagem, apreensões e orientação para momentos de uso da força geram receio alto ou muito alto em 51% dos entrevistados. Na Polícia Federal, o índice sobe para 70%.

(fonte, acesso em 04/08/2015)

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