quinta-feira, 6 de agosto de 2015

GO: PUC-GO demite 14 professores sem justificativas

A PUC-GO demitiu, no início deste semestre, 14 professores admitidos através de concurso – que não se equivalem às garantias das instituições públicas.

Por Fernanda Laune, da Editoria de Cidades do Diário da Manhã

A demissão ocorreu sem justificativas e de maneira desrespeitosa, dizem defensores dos professores. Eles foram informados, por telefone, pela manhã (29/07) que deveriam comparecer com urgência ao Departamento de Recursos Humanos (DRH) até o meio-dia. Ao chegar lá, receberam o comunicado da rescisão de contrato.

Em nota, a Associação dos Professores da Universidade Católica de Goiás (Apuc) informou que os 14 professores possuíam o contrato de trabalho docente mais frágil firmado pela instituição em toda a sua história. A orientação para a demissão foi feita diretamente pelos coordenadores, em conformidade com esse tipo de contrato que, para além das questões trabalhistas, possibilita “o agravamento das relações interpessoais abrindo espaço para a prática de assédio moral e o clima organizacional”.

Para a professora da PUC-SP e pesquisadora sobre assédio moral, Margarida Barreto, que esteve em Goiânia a convite da Apuc, as vítimas do assédio moral geralmente são pessoas que se dedicam ao trabalho e à instituição, que dão o melhor de si e se entregam aos ideais da empresa e/ou instituição. Os 14 professores demitidos possuíam esse perfil, diz a Apuc. A maioria deles já lecionava na PUC Goiás antes do concurso de 2014.

A Apuc questiona: “Onde está a ética que deveria reger as relações de trabalho dentro de uma instituição católica cujos princípios básicos deveriam ser a valorização da vida e da dignidade humana?” Segundo a associação, o mais grave é a forma sumária de demissão: “Aos demitidos não foi dada sequer uma explicação do motivo, tampouco o direito de ampla defesa. Por que as demissões ocorreram de forma sorrateira e no início do semestre?”.

Os professores estavam com a carga-horária definida na PUC Goiás e, neste período, dificilmente haverá oportunidade de realocação no mercado de trabalho pelo fato das instituições de ensino iniciarem as aulas com o quadro docente completo. Desta forma, ocorreria uma perda coletiva cujos valores podem chegar a R$ 300 mil.

REPúDIO

O presidente do Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (Sinpro), Alan Francisco de Carvalho, em entrevista ao DM, declara que “o sindicato apoia e se solidariza aos professores da PUC-GO e repudia as demissões injustas e tomará todas as medidas jurídicas cabíveis”. O departamento jurídico analisa a situação de cada professor.

Conforme os entrevistados pelo DM, as demissões são reflexo da precarização das condições de trabalho na universidade e da fragilidade do contrato de trabalho. As rescisões foram agendadas dia 7, sexta-feira, na sede do Sinpro Goiás.

Atualmente, a PUC-GO possui cerca de 26.100 estudantes de graduação. Em contato com a Assessoria de Comunicação da instituição, o DM foi informado de que a entidade não irá se posicionar sobre o assunto.

Universidade é destaque por alto valor das mensalidades

Em pesquisa realizada no início do semestre pelo DM, os valores praticados pela PUC-GO são considerados superiores em relação às outras universidades e faculdade privadas do Estado. No curso de Comunicação Social – Jornalismo, a instituição cobra R$ 1.004,57, considerando que o curso tem a duração de quatro anos, sem ajustes, o valor total para a conclusão é de R$ 48.219,36.

Enquanto, em outra faculdade, com estrutura e quadro de professores similares (número de doutores, livros em biblioteca, estrutura), o valor do curso é de R$ 380. O investimento total no final do curso é de R$ 18.240.

Com a diferença nos valores das duas faculdades, de R$ 30 mil, uma estudante da PUC-GO questiona ao DM: ‘Não entendo o porquê dos valores altos do curso, sendo que a PUC é uma instituição filantrópica, que se diz não ter fins lucrativos. Como pode ser a mais cara?’’.

A PUC é uma entidade católica, mantida pela Sociedade Goiana de Cultura (SGC) e mantenedora da PUCTV, Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e Fundação Aroeira.

(fonte, acesso em 06/08/2015)

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