quarta-feira, 9 de setembro de 2015

RJ: Colégio Pedro II promove ações de combate ao assédio moral

O combate ao assédio moral no ambiente de trabalho tem sido alvo de preocupação e de ações da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp). Em entrevista, o pró-reitor de Gestão de Pessoas, Luiz Almério, e a chefe da Seção de Qualidade de Vida (SQV), Renata Barros, falam sobre as ações desenvolvidas para sanar este tipo de conflito na Instituição.

Por Coordenadoria de Comunicação Social / Colégio Pedro II

Que atitudes podem ser definidas como assédio moral no ambiente de trabalho?

Renata Barros: De modo geral, são as perseguições, cobranças excessivas e perseguições que acontecem de forma contínua e repetitiva.

Luiz Almério: O assédio moral é um conceito muito amplo. Como temos servidores de gerações e com visões diferentes o que um gestor entende como obrigação, o profissional que está chegando com um novo perfil entende como afronta, cobrança excessiva ou até mesmo agressiva. Para a sociedade, esse tipo de atitude não é mais aceito. Enquanto esses conflitos não forem claramente debatidos entre as partes envolvidas, não conseguiremos diminuir essa situação. É uma questão que cresceu muito na administração pública. Antes, prevalecia um conceito antigo no meio público de “eu mando, você obedece” que hoje já não funciona mais e deve ser eliminado.

Como o servidor que sofre assédio moral deve proceder?

RB: Primeiro ele deve conversar com a chefia e tentar resolver a situação. Quando isso não é possível, o servidor pode procurar a Seção de Qualidade de Vida (SQV). A Seção não é responsável por fazer a denúncia, o que fazemos é oferecer atendimento psicológico e de serviço social e dar orientações sobre o assédio moral. Informamos que a denúncia via Instituição pode ser feita através da Corregedoria e também pela Comissão de Ética ou Ouvidoria. Além disso, a partir do relato do servidor é desenvolvido um relatório direcionado à Diretoria de Desenvolvimento Humano e Organizacional que o encaminha à chefia para comunicá-la do fato.

LA: Tentamos trabalhar a mediação para compreender o papel de cada um em suas ações, fazer com que cada um entenda seu papel e conviva sem atritos e conflitos constantes. Tem crescido muito a busca por esse atendimento e estamos aprendendo com essa experiência. É importante aprendermos com essa experiência. É importante que os servidores saibam que no Colégio Pedro II existe um canal conciliador que até então não existia. Hoje o servidor é ouvido, tem sua demanda apreciada por profissionais que o orientam para uma solução em conjunto. Temos tido casos de sucesso. Cada vez que entram novos servidores, com novos perfis, o conflito é inevitável. Existem técnicas e metodologias para lidar com isso. A cartilha é o primeiro passo e outras ações estão sendo desenvolvidas nesse sentido.

O que é preciso para realizar uma denúncia?

RB: As denúncias ficam perdidas no meio do caminho. Para fazer a abertura do processo é preciso reunir provas e os servidores têm tido muita dificuldade nesse sentido. Eles vêm à Seção, trazem seus problemas e acabam ficando frustrados ao pensar que nós faremos a denúncia por eles. Isso é ruim tanto para o servidor, que acaba tendo que conviver em um ambiente desagradável, quanto para nós, por não conseguirmos contabilizar os casos de assédio moral de modo formal. Existem várias formas de reunir provas para iniciar o processo como por exemplo através de memorandos protocolados, da realização da comunicação por email e de pessoas para testemunhar a seu favor.

Que ações estão sendo adotadas para auxiliar quem sofre assédio moral?

RB: Em junho, iniciamos o planejamento do projeto. Em julho, percorremos todas as seções do prédio da Reitoria, conversando com os chefes sobre a importância do projeto e da participação tanto do gestor quanto dos servidores nas palestras. Realizamos a entrega da cartilha sobre assédio moral em cada seção e também a disponibilizamos na página da Progesp, no site do Colégio Pedro II. A primeira palestra sobre o tema aconteceu em julho e ao fazermos uma avaliação percebemos que apenas seis gestores participaram e isso é um problema. Em setembro, vamos avançar com o projeto levando aos campi uma apresentação sobre o tema, abordando os principais conceitos, os canais de denúncia na Instituição, entre outros temas. Também vamos apresentar um trabalho sobre assédio moral no IV Congresso de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho, que acontece em outubro, em Manaus (AM). Nele, vamos abordar os dois grandes impactos que o assédio moral tem no âmbito do Colégio Pedro II: a remoção, onde o assediado é removido e o assediador permanece em seu local de trabalho; e o aumento no número de licenças, que podem ser licenças médicas formais ou faltas para se afastar do ambiente de trabalho.

LA: Nosso trabalho consiste principalmente em conscientização e educação. Tentamos passar para todos o que é o assédio moral, como ele ocorre, como podemos evitá-lo e, caso não possamos evitar, a quem devemos recorrer. É um trabalho educativo, que demanda muito esforço da equipe. Nos preocupa ainda que muitos gestores não estejam percebendo sua importância nesse processo. Nosso objetivo maior é que haja harmonia no ambiente de trabalho sem que haja diminuição ou crescimento de alguém às custas desse tipo de conflito. Essa é nossa meta.

(fonte, acesso em 08/09/2015)

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